5 indicadores epidemiológicos fundamentais na vigilância em saúde.

Os indicadores em saúde são fundamentais como medidas sinalizadoras de informações relevantes sobre determinados atributos e dimensões do estado de saúde individual ou coletiva, bem como o do desempenho do sistema de saúde.

O conceito de saúde descrito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) enfatiza que a saúde é um completo estado de bem-estar físico, mental e social, reforçando que este conceito, não somente se restringe à ausência de doença ou enfermidade. Portanto, são os indicadores que servem como base para mensuração, avaliação e estabelecimento de parâmetros de “julgamento” sobre o serviço de saúde, bem como o impacto de determinada doença ou evento em saúde sobre certa população.

Os indicadores de saúde são usados como ferramenta de vigilância em saúde para identificar, monitorar, avaliar ações a fim de mapear áreas e fatores de risco e sinalizar tendências sobre o estado de saúde da população e do desempenho do  sistema de vigilância em saúde. Trata-se de um importante componente da Vigilância em Saúde em que os indicadores estão integrados a outras fontes de informações a fim de subsidiar na tomada de decisão baseada em evidências.

Confira os 5 principais indicadores epidemiológicos na vigilância em saúde.

  1. Número absoluto de observações:  número de vezes que determinado evento (doença ou agravo) ocorre, em um determinado tempo e lugar, descreve a magnitude do problema e é denominada de frequência absoluta. A quantificação do número de casos ou óbitos de uma doença, sem referenciar a população em risco, pode ser utilizada para conhecer a magnitude do problema de saúde ou da sua tendência, em curto prazo, como em uma epidemia.

Exemplo: Em 2020, foram confirmados 6.577.177 casos da Covid-19 no Brasil.

2. Taxa de incidência: relativa a uma doença e ou agravo que indica o número de casos novos ocorridos em um determinado período, em uma população específica sob risco de adoecer. Esse indicador é a principal medida para doenças ou condições agudas. Também pode ser utilizada para doenças crônicas, especialmente em estudos de causalidade.

Exemplo: Entre 26 de fevereiro de 2020 a 17 de abril de 2021, foram confirmados 13.900.091 casos da Covid-19 no Brasil. Considerando a população brasileira composta por 210 milhões de habitantes (estimativa do TCU 2019), qual é a incidência da doença nesse período?

Numerador: 13.900.091 

Denominador: 210.000.000 

Constante: 100.000

Resposta: Taxa de incidência: 6.526 por 100 mil habitantes

Interpretação: No Brasil, entre 26 de fevereiro de 2020 a 17 de abril de 2021, a incidência da covid-19 foi de 6.526 casos por 100 mil habitantes, ou seja, o risco de adoecer por essa doença no país era de 6.526 casos novos para cada 100 mil habitantes.

3) Taxa de prevalência: A taxa de prevalência refere-se ao número total de casos (novos e antigos) encontrados em uma população definida em um determinado ponto no tempo (8). Esse indicador estima a probabilidade de a população estar doente no período do tempo em que o estudo está sendo realizado; mais útil em estudos que visam determinar a carga de doenças crônicas em uma população e suas implicações para os serviços de saúde. Contudo, ela não estima o risco de contrair uma doença. Os principais fatores que determinam a taxa de prevalência são:

  • a severidade da doença (se muitas pessoas que desenvolvem a doença morrem, a prevalência diminui); 
  • a duração da doença (se uma doença é de curta duração, sua taxa de prevalência é menor do que a de uma doença com longa duração); 
  • o número de novos casos (se muitas pessoas contraírem a doença, sua taxa de prevalência será maior do que se poucas pessoas a contraírem).

Exemplo:  Em 2019, foram confirmados 73.684 casos de tuberculose no Brasil e, em 2020, 66.819 casos novos. Considerando a população brasileira composta por 210 milhões de habitantes (estimativa do TCU 2019), qual é a prevalência dessa doença em 2020?

Numerador: 73.684 + 66.819 = 140.503 

Denominador: 210.000.000 

Constante: 100.000

Resposta: Taxa de prevalência: 66,9 por 100 mil habitantes

Interpretação: Em 2020 a prevalência de tuberculose foi de 66,9 por 100 mil habitantes no Brasil, ou seja, o número de casos existentes dessa doença representou, aproximadamente, 67 casos para cada 100.000 habitantes no país.

4) Taxa de mortalidade: A taxa de mortalidade é o risco ou a probabilidade de qualquer pessoa na população vir a morrer em decorrência de uma doença ou agravo. Esse indicador também é utilizado para avaliar o nível de saúde de uma população.

Exemplo: Na semana epidemiológica 51 de 2020, foram confirmados 4.138 óbitos por covid-19 no Distrito Federal (DF). Considerando a população composta por 3 milhões de habitantes (estimativa do TCU 2019), qual é a mortalidade dessa doença nessa semana no DF?

Numerador: 4.138 

Denominador: 3.000.000 

Constante: 100.000

Resposta: Taxa de mortalidade: 137,9 por 100 mil habitantes

Interpretação: A taxa de mortalidade por Covid-19 foi de 138 por 100 mil habitantes no Distrito Federal, ou seja, o número de óbitos dessa doença representou o risco de morrer de 138 para cada 100.000 habitantes nessa Unidade Federada.

5) Taxa de letalidade: é uma proporção que mede o poder da doença em determinar a morte e também pode informar sobre a qualidade da assistência à saúde prestada ao indivíduo.

Exemplo: Na semana epidemiológica 51 de 2020, foram registrados 333.028 casos e 5.233 óbitos novos por covid-19 no Brasil. Qual é a taxa de letalidade dessa doença nessa semana?

Numerador: 5.233 

Denominador: 333.028 

Constante: 100

Resposta: Taxa de letalidade: 1,57%

Interpretação: Na semana epidemiológica 51 de 2020, a letalidade por covid-19 foi de 1,57% no Brasil. Ou seja, a cada 100 casos da covid-19, aproximadamente, duas pessoas morreram pela doença.

A produção de métricas que possibilitam avaliar o desempenho da situação de saúde do local, é essencial para conhecer o diagnóstico da situação local. É preciso não só saber quais indicadores utilizar em cada situação, como também seu método de cálculo e os dados necessários para executá-lo. Além disso, é importante ter parâmetros que nos indiquem se esses dados estão bons ou se precisam melhorar.

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Texto por Matheus Ponte

Referência

Associação de Profissionais de Epidemiologia de Campo – ProEpi. Guia para Construção de Plano de Contingência para o enfrentamento da pandemia da Covid-19

Acesse em: https://proepi.org.br/download/analise-de-indicadores-de-saude/

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