ProEpi integra iniciativa que forma primeira turma de Epidemiologia de Campo de nível intermediário em Cabo Verde 

Presidente do INSP, Secretário de Estado da Saúde, Ministra da Agricultura Desenvolvimento Rural e Pesscas, Presidente da ProEpi, Consultores do Programa da ProEpi, tutores do programa, consultores, e formandos do EpiCV durante a solenidade de abertura de sua primeira turma, realizada no dia 03/08/2026, em Cabo Verde.

Iniciou no dia 3 de agosto de 2026, na Cidade da Praia, a primeira turma do Programa de Treinamento em Epidemiologia de Campo (FETP) de nível intermediário em Cabo Verde. A formação pretende reforçar a capacidade nacional de resposta a emergências de saúde pública e formar uma rede de 18 profissionais especializados até 2027.

A iniciativa surge na sequência da implementação do Programa de Epidemiologia de Campo de Cabo Verde (EpiCV), nível Linha de Frente (frontline), criado após a Avaliação Externa Conjunta (JEE), realizada em 2019, que identificou, entre outras lacunas no sistema de vigilância sanitária nacional, a insuficiência de epidemiologistas no território.

Desde 2020, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) em parceria com a ProEpi, tem trabalhado na implementação do programa, tendo já formado mais de 100 epidemiologistas de campo com a execução de oito turmas do nível Linha de Frente, abrangendo todos os concelhos do país.

Com o avanço do programa e os resultados alcançados nos últimos anos, torna-se agora possível avançar para um nível mais especializado de formação, através do FETP intermediário, que decorre no âmbito do Projeto de Segurança Sanitária na África Ocidental e Central e do Fundo Pandêmico, através da Unidade de Gestão de Projectos Especiais (UGPE), e conta com o apoio da Associação Brasileira de Epidemiologistas de Campo (ProEpi).

Com duração de nove meses e uma carga horária de 564 horas, o programa segue os guias curriculares e manuais de nível intermediário do FETP, desenvolvidos e disponibilizados pela TEPHINET (Training Programs in Epidemiology and Public Health Interventions Network), combinando sessões presenciais, orientações virtuais e trabalho de campo supervisionado.

Participaram da cerimônia de abertura a Presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), o representante do Ministério da Saúde, representado pelo Secretário de Estado da Saúde, a Ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural e Pescas, além da presidente da ProEpi, do consultor da ProEpi e do diretor da TEPHINET.

Em declarações à imprensa, a presidente da ProEpi, Sra. Sarah Mendes, afirmou que “a partir de hoje vamos iniciar uma trajetória de nove meses no aprimoramento dos trabalhos que já realizam”, agradecendo aos tutores e consultores envolvidos na formação. “A ProEpi mobilizou-se de forma estratégica e prontamente assumiu esta missão. Estamos com os melhores epidemiologistas da Lusofonia e espero que cada um extraia o máximo desta formação”, acrescentou.

A presidente da ProEpi destacou ainda que a associação tem, desde a sua origem, a missão de unir profissionais de saúde para melhorar a qualidade de vida das populações. “Estamos comprometidos em fortalecer ainda mais a capacidade epidemiológica de Cabo Verde, para que cada trabalho impacte uma família, uma comunidade e, de forma geral, a nação, tornando o país ainda mais seguro”, afirmou, sublinhando que Cabo Verde é já considerado “o nosso segundo país”. “A ProEpi estará sempre disponível para o que for preciso, para fortalecer a saúde do povo cabo-verdiano”, concluiu.

Por sua vez, a presidente do INSP, Maria da Luz Lima, explicou que a primeira turma reúne 18 profissionais de saúde e que, durante a formação, os participantes deverão desenvolver competências para produzir relatórios sobre eventos e cenários de saúde pública, avaliar sistemas de vigilância, investigar surtos através de métodos epidemiológicos, elaborar relatórios científicos e de investigação de campo, além de participar em estudos epidemiológicos.

“Se ocorrer um surto, temos agora mais capacidade para analisar e identificar a causa com maior rapidez, bem como para fazer a comunicação de risco à população, com base na investigação realizada”, destacou.

A responsável destacou ainda que este nível de formação terá impacto direto na qualidade da informação em saúde, sobretudo no que diz respeito à vigilância epidemiológica e ambiental, tratando-se do nível de treinamento mais avançado já implementado no país.

O objetivo é formar uma rede de 18 profissionais com maiores capacidades para reforçar a vigilância epidemiológica no país e contribuir para uma resposta mais rápida e eficaz perante futuras ameaças sanitárias.

Já o consultor do EpiCV e conselheiro da ProEpi, Sr. Jonas Brant, saudou a integração entre a Saúde e a Agricultura no programa, destacando que Cabo Verde “vem trabalhando essa integração não só com a Agricultura, mas também com o Meio Ambiente e outras áreas, o que é muito relevante”. Recordou ainda a origem do movimento que deu lugar à ProEpi, nascida da criação de redes regionais de epidemiologia de campo na América do Sul e Central, e sublinhou o papel da presidente do INSP: “É importante ressaltar a liderança da Dra. Maria da Luz Lima no fortalecimento do Instituto Nacional de Saúde Pública do país.”

Jonas Brant destacou também a mudança de posicionamento de Cabo Verde na região: “Cabo Verde já não é mais o país que espera as iniciativas do continente para depois implantar aqui. É o país que implanta aqui para depois ensinar o continente a fazer. Aqui é o lugar de fazer o piloto e mostrar como fazer bem feito.” Por fim, reforçou o papel dos técnicos na produção de evidências para a tomada de decisão: “Nós, técnicos, temos que fornecer as evidências para que os gestores tomem a melhor decisão possível. O Programa de Epidemiologia de Campo vem justamente para nos dar esse ferramental.” Concluiu desejando que a turma consiga “colocar Cabo Verde na posição dos melhores na epidemiologia de campo.”

Os Programas de Treinamento em Epidemiologia de Campo, conhecidos internacionalmente como Field Epidemiology Training Programs (FETP), são implementados em mais de 100 países e são considerados uma estratégia fundamental para a criação de quadros especializados na área da vigilância em saúde pública.



Saiba mais

https://proepi.org.br/epicv/

Texto por: Patricia Paiva

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza cookie de captura.